Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues
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Saúde da mulher após os 50: Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues frisa por que a menopausa não é motivo para abandonar a mamografia

Doutor Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, médico especialista em diagnóstico por imagem, destaca que entre os principais desafios do rastreamento do câncer de mama no Brasil está a crença, ainda presente em parte da população feminina, de que a chegada da menopausa reduz ou elimina a necessidade de continuar realizando a mamografia regularmente. Essa percepção não tem sustentação científica e, na realidade, as mulheres na faixa etária pós-menopausa concentram uma parcela expressiva dos diagnósticos de câncer de mama, tornando o rastreamento nesse período não apenas necessário, mas ainda mais relevante do que em fases anteriores da vida. 

Compreender o que muda na mama após a menopausa e por que o exame permanece indispensável é fundamental para que nenhuma mulher abandone a prevenção no momento em que ela mais importa.

O que acontece com o tecido mamário após a menopausa e como isso afeta o rastreamento?

Com a queda dos níveis de estrogênio e progesterona que caracteriza a menopausa, o tecido mamário passa por um processo gradual de involução, no qual o componente glandular é progressivamente substituído por tecido adiposo. Essa transformação tem uma consequência diretamente favorável para o rastreamento: mamas pós-menopausa tendem a ser menos densas, o que melhora significativamente a sensibilidade da mamografia. Em tecido predominantemente adiposo, o contraste entre a gordura e um eventual nódulo sólido é muito mais evidente na imagem radiológica, tornando mais fácil identificar lesões pequenas que poderiam passar despercebidas em mamas com alta densidade glandular. 

Contudo, a involução mamária não ocorre de forma uniforme em todas as mulheres nem no mesmo ritmo. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues menciona que o uso de terapia hormonal na menopausa pode preservar ou até aumentar a densidade mamária, mantendo as limitações diagnósticas associadas ao tecido denso mesmo em mulheres mais velhas. Da mesma forma, fatores genéticos influenciam a velocidade e a extensão da involução, o que significa que algumas mulheres na casa dos 60 ou 70 anos ainda apresentam mamas com densidade moderada a alta. Essa variabilidade reforça a importância de que a periodicidade e o protocolo de rastreamento sejam avaliados individualmente, sem presumir que toda mulher pós-menopausa tem mama automaticamente favorável ao exame padrão.

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Por que o risco de câncer de mama aumenta com a idade?

Um dos equívocos mais perigosos associados à menopausa é a ideia de que, com o fim do ciclo reprodutivo, o risco oncológico diminui. Os dados epidemiológicos apontam exatamente o contrário: a incidência de câncer de mama aumenta progressivamente com a idade, e o pico de casos ocorre justamente na faixa etária entre 60 e 70 anos. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues argumenta que o acúmulo de danos ao DNA ao longo da vida, a maior exposição cumulativa a fatores de risco e a redução da eficiência dos mecanismos de reparo celular com o envelhecimento contribuem para que células mamárias transformadas tenham maior probabilidade de dar origem a tumores nessa fase da vida. Interromper o rastreamento justamente quando o risco atinge seu ápice é, do ponto de vista clínico, uma decisão que inverte completamente a lógica preventiva.

Não menos importante é o fato de que tumores diagnosticados em mulheres mais velhas frequentemente apresentam comportamento biológico mais indolente, com crescimento mais lento e maior sensibilidade a tratamentos hormonais, o que eleva ainda mais as taxas de sucesso terapêutico quando a detecção ocorre precocemente. O diagnóstico precoce em estágio localizado, antes do comprometimento linfonodal ou de metástases a distância, representa a diferença entre tratamentos conservadores com alta chance de cura e abordagens mais agressivas com prognóstico menos favorável, independentemente da faixa etária da paciente.

Até quando fazer mamografia e como decidir pela continuidade do rastreamento?

A definição de um limite superior de idade para o rastreamento mamográfico é um dos pontos de maior debate entre as diretrizes internacionais. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues descreve que, enquanto algumas diretrizes estabelecem um teto etário em torno dos 74 anos para o rastreamento de rotina, outras defendem a continuidade enquanto a mulher tiver expectativa de vida de pelo menos dez anos e condições de se beneficiar de um eventual tratamento. A decisão de interromper o rastreamento em idades mais avançadas deve ser tomada em conjunto entre a paciente e seu médico, considerando não apenas a idade cronológica, mas a saúde geral, as comorbidades e as preferências individuais da mulher.

Diante desse panorama, nota-se que a menopausa é uma transição biológica, não uma linha de chegada na jornada de cuidado com a saúde. Mulheres que chegaram aos 50, 60 ou 70 anos realizando a mamografia regularmente construíram um histórico de rastreamento valioso, e interromper esse processo sem indicação médica clara é desperdiçar anos de vigilância acumulada. O compromisso com a própria saúde não tem prazo de validade.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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