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BTG/Nexus aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno

Flávio aparece com 46% e Lula com 45% em confronto direto; diferença de um ponto está dentro da margem de erro da pesquisa.

A disputa pela Presidência da República aparece cada vez mais apertada na reta final para as eleições de 2026. Pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta terça-feira, 8 de setembro, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma eventual disputa de segundo turno. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados.

O resultado chama atenção porque representa uma inversão numérica em relação à rodada anterior da pesquisa. No levantamento divulgado em 31 de agosto, Lula tinha 46% e Flávio aparecia com 45%. Agora, os percentuais se inverteram: Flávio registra 46% e Lula, 45%. Isso não significa, estatisticamente, que o senador esteja isoladamente à frente, já que a diferença está dentro da margem de erro. É, porém, a primeira vez na série do instituto em que Flávio aparece numericamente acima de Lula nesse confronto direto.

O que mostra a pesquisa BTG/Nexus?

No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, Flávio tem 46%, Lula 45%, votos brancos/nulos ou em nenhum dos dois somam 8%, enquanto 1% não soube ou não respondeu. A diferença entre os dois principais nomes é, portanto, de apenas um ponto percentual. Como a margem de erro é de dois pontos, o levantamento aponta empate técnico.

A movimentação em relação à rodada anterior também foi pequena e precisa ser interpretada dentro da margem de erro. Lula passou numericamente de 46% para 45%, enquanto Flávio passou de 45% para 46%. Mais do que uma mudança estatisticamente conclusiva de liderança, os números indicam a manutenção de uma disputa muito equilibrada. Em 24 de agosto, por exemplo, Lula aparecia com 46% e Flávio com 45% no mesmo confronto.

No primeiro turno, o cenário é diferente. Na principal simulação apresentada pelo próprio Nexus nesta terça-feira, Lula registra 39% e Flávio Bolsonaro, 35%. O presidente manteve os 39% registrados na rodada anterior, enquanto Flávio avançou de 33% para 35%. A diferença entre os dois, portanto, ficou em quatro pontos percentuais nesse cenário.

Augusto Cury (Avante) aparece em seguida, com 9%. Outros candidatos permanecem em patamares menores. Os resultados mostram que Lula e Flávio concentram parcela significativa das intenções de voto, embora a existência de outros candidatos mantenha aberta a disputa pelo primeiro turno. A eleição presidencial está marcada para 4 de outubro, enquanto um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

Por que o empate técnico chama atenção?

O principal elemento político do levantamento não é uma liderança consolidada de Flávio Bolsonaro, mas o grau de equilíbrio alcançado no confronto direto. Como 46% e 45% estão dentro da margem de erro, a pesquisa não permite afirmar estatisticamente que Flávio venceria Lula se o segundo turno fosse realizado agora. O resultado mostra que os dois possuem níveis muito próximos de intenção de voto no cenário testado.

Também existe uma diferença importante entre primeiro e segundo turno. Lula continua numericamente à frente de Flávio no principal cenário de primeira rodada, com 39% contra 35%, enquanto no confronto direto os percentuais ficam praticamente iguais. Isso sugere que a redistribuição dos votos dos demais candidatos será decisiva caso os dois avancem para a etapa final da eleição. Eleitores que hoje escolhem outros nomes poderão determinar o resultado de uma eventual disputa entre os dois principais polos.

O levantamento também mostra um eleitorado bastante decidido. Segundo dados publicados a partir da pesquisa, 81% dos entrevistados que indicaram algum candidato afirmam que sua escolha para presidente já está tomada e não deverá mudar até a eleição. Isso reduz, embora não elimine, o espaço para alterações expressivas durante as semanas restantes da campanha.

Entre os eleitores de Lula, 90% dizem estar decididos, enquanto 9% admitem a possibilidade de mudar. Entre os que indicam Flávio Bolsonaro, 84% afirmam que manterão a escolha e 15% ainda consideram uma mudança. Esses números ajudam a dimensionar não apenas o tamanho atual de cada candidatura, mas também o grau de fidelidade dos respectivos eleitorados.

Os recortes demográficos apresentados a partir do levantamento também mostram diferenças entre as bases eleitorais. Lula registra desempenho melhor entre mulheres, jovens, idosos, católicos e eleitores de renda mais baixa. Flávio Bolsonaro apresenta desempenho mais forte entre homens, eleitores de 25 a 40 anos, evangélicos e segmentos com renda intermediária. Esses recortes, contudo, possuem margens de erro próprias maiores que a da amostra total e devem ser interpretados com cautela.

O que os números significam para a eleição de 2026?

A pesquisa funciona como um retrato do momento em que as entrevistas foram realizadas, e não como previsão do resultado das urnas. A campanha ainda pode ser afetada por debates, propaganda eleitoral, acontecimentos econômicos, decisões judiciais, desempenho dos candidatos e transferência de votos. Por isso, oscilações pequenas entre levantamentos consecutivos não devem ser interpretadas automaticamente como tendências consolidadas.

A própria comparação entre as rodadas ilustra esse cuidado. No final de agosto, Lula estava numericamente um ponto à frente de Flávio no segundo turno. Agora, Flávio aparece um ponto acima. Em ambos os casos, porém, a distância é inferior à margem de erro. O dado mais consistente, portanto, é a proximidade entre os dois, e não uma suposta liderança estatisticamente definida de qualquer um deles.

Outros cenários de segundo turno reforçam que a disputa presidencial permanece aberta. O levantamento também testou Lula contra Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury. Os resultados variam conforme o adversário e mostram diferentes níveis de competitividade, indicando que o comportamento dos eleitores dos candidatos eliminados no primeiro turno poderá ter papel relevante na etapa seguinte.

A metodologia é fundamental para interpretar os resultados. O levantamento foi realizado pelo Nexus para o BTG Pactual entre 4 e 7 de setembro de 2026, com cerca de 2 mil eleitores entrevistados por telefone. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento possui registro na Justiça Eleitoral.

Com menos de um mês para o primeiro turno, o levantamento divulgado em 8 de setembro reforça um cenário eleitoral competitivo. Lula permanece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno pesquisado, enquanto o confronto direto entre os dois apresenta empate técnico.

A principal mudança desta rodada é simbólica e política: pela primeira vez na série da Nexus, Flávio aparece numericamente acima de Lula no segundo turno, embora sem vantagem estatisticamente conclusiva. As próximas pesquisas serão importantes para verificar se essa movimentação permanece dentro das oscilações normais da margem de erro ou se começa a formar uma tendência mais consistente na reta final da campanha.

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