Rolando Bonaccorsi
Rolando Bonaccorsi
Noticias

A ascensão do gravel mudou a bicicleta de estrada

A multiplicação de provas em estrada de terra reorganizou o mercado de bicicletas, movimento seguido de perto por Rolando Bonaccorsi, engenheiro de computação com MBA executivo e praticante de ciclismo de estrada. Modelos de gravel saíram do catálogo marginal para a linha principal de fabricantes tradicionais, e a mudança não ficou restrita ao novo segmento. Catálogos de linha dobraram o espaço dedicado ao segmento em poucas temporadas.

Bicicletas de estrada mudaram de forma silenciosa no mesmo período. Pneu mais largo, freio a disco, folga maior no quadro e relação de marchas mais curta eram incomuns em modelos de competição e hoje aparecem em quase toda linha voltada a longa distância. A influência do gravel explica boa parte dessa transformação técnica. Quem compra bicicleta de estrada hoje escolhe dentro de um leque que não existia há dez anos.

De nicho a categoria própria em poucos anos

O gravel nasceu da prática de ligar estradas de terra entre trechos asfaltados, comum em regiões onde a malha pavimentada é esparsa. Provas longas em cascalho popularizaram o formato nos Estados Unidos e ganharam versões em vários países, incluindo circuitos brasileiros em áreas rurais de Minas Gerais e do interior paulista. Distâncias entre 100 e 300 quilômetros, com cascalho solto em boa parte do trajeto, definem o perfil dessas provas.

A indústria respondeu com geometria própria. Ângulos mais abertos, distância maior entre eixos e centro de gravidade mais baixo aumentam estabilidade em superfície solta. Conforme situa Rolando Bonaccorsi, duas famílias distintas atendem usos diferentes: uma voltada à velocidade em terra firme e outra próxima ao cicloturismo, com suportes para bagagem e pneus bem largos. Preço e peso separam ainda mais as duas linhas.

Geometria e pneus que migraram para a estrada

A folga interna do quadro foi o primeiro item a mudar nos modelos de asfalto. Bicicletas de competição que aceitavam pneus de 23 milímetros passaram a comportar 30 ou mais, e testes de resistência ao rolamento ajudaram a desfazer a associação automática entre pneu estreito e velocidade alta. Pressões mais baixas reduzem vibração e preservam o ciclista em pedais longos.

O freio a disco viabilizou parte do movimento. Sem o aro servindo como superfície de frenagem, projetistas ganharam liberdade para alargar a passagem de pneu e repensar o desenho do garfo. Na visão de Rolando Bonaccorsi, a adoção do disco acelerou mudanças que a frenagem tradicional vinha limitando havia anos. Transmissões de um único anel dianteiro, nascidas no terreno misto, também chegaram ao asfalto.

Quando a bicicleta de gravel substitui a de estrada?

Para quem pedala poucas horas por semana e enfrenta asfalto irregular, um modelo de gravel calçado com pneu mais fino cobre quase todo o uso. Como compara Rolando Bonaccorsi, a troca perde alguns watts em velocidade de grupo e devolve conforto, versatilidade e segurança em piso ruim, cálculo que muda para quem disputa prova de velocidade em pelotão fechado.

Aerodinâmica continua decisiva acima de 30 quilômetros por hora, faixa em que a posição do ciclista e o perfil das rodas pesam mais do que o conforto do conjunto. Quadros de gravel sacrificam parte dessa eficiência em troca de estabilidade, e a escolha entre as duas categorias depende do terreno frequentado com regularidade. Quem corre em grupo rápido ainda encontra vantagem clara no quadro específico de estrada.

O que o ciclista de estrada ganha com a mistura?

Treinar em terra altera o estímulo. Trechos soltos exigem potência irregular, correção constante de trajetória e trabalho de tronco que o asfalto liso não demanda. Muitos ciclistas relatam ganho de habilidade técnica depois de meses alternando superfícies, além de rotas novas em regiões antes consideradas sem opção de pedal. Descidas em piso irregular treinam leitura de terreno, que o asfalto nunca exige.

Risco de trânsito também entra na conta. Estradas vicinais de baixo movimento reduzem a exposição a veículo em alta velocidade, fator que pesa na decisão de quem pedala sozinho em região metropolitana. Segundo pondera Rolando Bonaccorsi, a escolha da rota influencia a segurança tanto quanto o equipamento usado no pedal.

What's your reaction?

Excited
0
Happy
0
In Love
0
Not Sure
0
Silly
0

Você também pode gostar

Mais em:Noticias

Os comentários estão desativados.