Lula tem 40% e Flávio Bolsonaro 35% em nova pesquisa: o que os números revelam sobre a eleição de 2026
Levantamento Nexus/BTG mostra vantagem de Lula no primeiro turno, empate técnico no segundo e rejeição elevada aos principais candidatos.
A corrida pela Presidência da República ganhou um novo retrato nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026. Pesquisa Nexus/BTG aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 35%. A diferença coloca Lula numericamente à frente e fora da margem de erro no cenário de primeiro turno apresentado pelo levantamento, mas está longe de significar que a eleição esteja definida. A pesquisa também mostra um ambiente de forte polarização e índices elevados de rejeição, fatores que podem ser decisivos durante a campanha. O levantamento entrevistou 2.001 eleitores entre 7 e 9 de agosto, por telefone, possui margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pelo BTG Pactual e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-08428/2026.
O que a vantagem de Lula realmente significa neste momento?
Os 40% registrados por Lula dão ao presidente uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro no cenário de primeiro turno pesquisado pela Nexus. Outros candidatos aparecem consideravelmente abaixo dos dois primeiros colocados, reforçando, neste momento, uma disputa concentrada nos dois principais campos políticos. Pesquisas eleitorais, porém, funcionam como fotografias do período em que as entrevistas são realizadas e não como previsões definitivas do resultado das urnas. A campanha ainda pode ser influenciada pelos debates, pela situação econômica, pelas estratégias dos candidatos, por acontecimentos políticos e pela capacidade de mobilização dos partidos. Por isso, a leitura mais prudente é de vantagem atual de Lula, mas dentro de uma eleição que permanece competitiva.
A situação fica ainda mais aberta quando a pesquisa testa um eventual segundo turno. Nesse confronto, Lula aparece com 47% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 44%, uma diferença que configura empate técnico considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. Esse dado mostra que a capacidade de conquistar eleitores fora das bases mais fiéis poderá ser determinante. Também significa que o desempenho do primeiro turno não pode ser simplesmente projetado para uma segunda rodada. Eleitores que inicialmente apoiam outras candidaturas podem redistribuir seus votos de maneira diferente quando restarem apenas dois nomes na disputa.
A avaliação do governo federal acrescenta outra dimensão ao cenário. No mesmo levantamento, 49% dos entrevistados disseram desaprovar o trabalho de Lula, enquanto 46% afirmaram aprová-lo e 5% não souberam ou não responderam. Quando questionados sobre a qualidade da administração, 44% avaliaram o governo como ruim ou péssimo, 34% como bom ou ótimo e 21% como regular. Os números mostram uma sociedade dividida não apenas sobre as candidaturas, mas também sobre o desempenho da atual gestão. Para Lula, transformar aprovação governamental em intenção de voto será parte importante da estratégia eleitoral; para a oposição, o desafio será converter insatisfação em apoio efetivo a uma candidatura.
Rejeição pode ser tão importante quanto intenção de voto
Em eleições polarizadas, observar apenas quem lidera as pesquisas pode oferecer uma visão incompleta. A rejeição indica até onde determinado candidato consegue crescer quando precisa conquistar pessoas que inicialmente não fazem parte de sua base eleitoral. A pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira aponta justamente uma dificuldade para os dois principais nomes. Flávio Bolsonaro possui rejeição de 50%, enquanto Lula registra 48%, percentuais tecnicamente empatados dentro da margem de erro. Isso sugere que ambos entram na fase mais intensa da campanha com bases relevantes de apoio, mas também enfrentam resistência significativa entre parcelas do eleitorado.
Esse cenário ajuda a explicar por que uma diferença aparentemente confortável no primeiro turno pode se transformar em uma disputa apertada no segundo. O candidato que conseguir diminuir sua rejeição ou convencer eleitores menos identificados ideologicamente poderá conquistar vantagem relevante. Campanhas presidenciais costumam direcionar parte significativa de seus esforços justamente para grupos que não possuem preferência partidária consolidada. Propostas econômicas, segurança pública, programas sociais, emprego, inflação e qualidade dos serviços públicos podem assumir papel especialmente importante na tentativa de conquistar esses votos. A pesquisa, portanto, sugere que a eleição não será disputada apenas pela mobilização das bases tradicionais.
Também existe espaço para observar o desempenho das candidaturas que aparecem atrás dos líderes. Mesmo que não alcancem o segundo turno, esses candidatos podem influenciar a agenda política, introduzir temas nos debates e disputar parcelas do eleitorado que posteriormente serão cobiçadas pelos finalistas. A transferência desses votos nunca é automática. Partidos podem anunciar apoio formal a determinado candidato, mas seus eleitores possuem autonomia para escolher outro nome, votar em branco, anular ou simplesmente não comparecer. Em uma disputa equilibrada, movimentos relativamente pequenos entre esses grupos podem produzir consequências importantes.
Economia, debates e campanha podem alterar o cenário até as urnas
A situação econômica tende a ocupar posição central na disputa presidencial. Inflação, renda, emprego, preço dos alimentos, crédito e percepção sobre o poder de compra possuem impacto direto na vida cotidiana e frequentemente influenciam a avaliação de governos. Para Lula, resultados econômicos positivos podem reforçar o argumento de continuidade; para Flávio Bolsonaro e demais adversários, dificuldades percebidas pela população oferecem espaço para defender mudança de direção. A campanha deverá transformar indicadores econômicos em narrativas concorrentes, cabendo ao eleitor comparar dados, propostas e resultados concretos.
Segurança pública também aparece entre os assuntos relevantes da eleição de 2026. Levantamentos e propostas apresentados durante a campanha mostram candidatos buscando respostas distintas para violência, atuação das forças policiais, sistema penitenciário e combate ao crime organizado. Algumas candidaturas defendem endurecimento penal e maior presença das forças de segurança, enquanto outras enfatizam prevenção, inteligência, integração entre governos e políticas sociais. O debate é particularmente importante porque segurança envolve competências divididas entre União, estados e municípios, tornando necessário avaliar quais propostas presidenciais podem efetivamente ser executadas.
Outro elemento decisivo serão os debates e a exposição dos candidatos durante a campanha. É nesse período que propostas precisam ser confrontadas, inconsistências podem ganhar visibilidade e eleitores menos engajados começam a prestar maior atenção à disputa. Pesquisas sucessivas serão úteis para identificar tendências, mas diferenças pequenas entre levantamentos devem ser interpretadas considerando metodologia, margem de erro e período de realização. Uma pesquisa isolada raramente oferece informação suficiente para afirmar que existe uma tendência consolidada.
O levantamento de 10 de agosto mostra, portanto, duas realidades simultâneas. Lula possui uma vantagem relevante no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece como principal adversário e reduz a distância em uma eventual segunda rodada. Ao mesmo tempo, ambos apresentam rejeições próximas de metade do eleitorado, criando limites importantes para seu crescimento. Até a votação, economia, debates, alianças partidárias, propostas e acontecimentos políticos poderão modificar esse equilíbrio. Para o eleitor, acompanhar a evolução de diferentes pesquisas — e não apenas um levantamento específico — será a melhor maneira de compreender para onde a disputa presidencial de 2026 está caminhando.
Fontes:
Pesquisa Nexus/BTG — CNN Brasil · Segundo turno — CNN Brasil









