Sofrimento emocional em crianças: Confira com Taiza Tosatt Eleoterio quais são os sinais que merecem atenção
De acordo com a psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio, o sofrimento emocional em crianças nem sempre se manifesta de forma explícita. Os primeiros indícios costumam aparecer em pequenas mudanças de comportamento, quase imperceptíveis para quem convive com a criança todos os dias.
À vista disso, é justamente essa sutileza que exige uma atenção redobrada de pais, responsáveis e educadores. Com isso em mente, a seguir, abordaremos os principais sinais físicos, emocionais e sociais que indicam que uma criança pode estar enfrentando dificuldades internas: alterações de humor, sono, alimentação, interação social e rotina.
Mudanças de comportamento associadas ao sofrimento emocional
Irritabilidade sem motivo aparente, choro fácil e reações desproporcionais a situações simples costumam ser os primeiros sintomas percebidos em casa. Ademais, segundo Taiza Tosatt Eleoterio, comportamentos regressivos, como voltar a chupar o dedo ou pedir colo com mais frequência, também podem surgir quando a criança não encontra outra forma de expressar o que sente.
Isolamento repentino e agressividade em situações antes tranquilas seguem a mesma lógica. Quando esses comportamentos se tornam frequentes e substituem reações típicas daquela criança, eles deixam de ser episódios isolados e passam a compor um padrão que merece observação cuidadosa por parte da família.
Aliás, a intensidade das reações costuma pesar mais do que o tipo de comportamento em si. Uma criança tranquila que passa a reagir com raiva desproporcional está comunicando algo, mesmo sem conseguir nomear o que sente naquele momento, conforme frisa Taiza Tosatt Eleoterio, especialista em saúde mental e relações familiares.
Como identificar alterações de humor e sono na criança?
O humor instável, com oscilações entre euforia e tristeza no mesmo dia, costuma acompanhar dificuldades para dormir. Insônia, pesadelos recorrentes e resistência em ir para a cama sozinha indicam que algo incomoda a criança além do cansaço natural do dia a dia, especialmente quando esses episódios se repetem por semanas seguidas.
Taiza Tosatt Eleoterio salienta que o excesso de sono também pode ser um sinal, funcionando como uma forma de fuga emocional. Uma criança que dorme muito mais do que o habitual, sem motivo físico identificado, merece a mesma atenção dada àquela que não consegue dormir.
A alimentação e a interação social como termômetros emocionais
A relação da criança com a comida também pode refletir o que ela sente por dentro. Recusa alimentar, perda de apetite ou, no extremo oposto, busca por comida como forma de conforto emocional são sinais que raramente aparecem sozinhos e, por isso, pedem observação conjunta com outros aspectos da rotina. Tendo isso em vista, a seguir, os seguintes comportamentos sociais costumam acompanhar esse quadro e reforçam a necessidade de atenção:
- Afastamento de amigos e familiares com quem a criança tinha proximidade;
- Perda de interesse em brincadeiras que antes eram prazerosas;
- Dificuldade em compartilhar sentimentos ou explicar o que está sentindo;
- Preferência constante por ficar sozinha, mesmo em momentos de convívio.
Esses pontos, quando combinados, formam um quadro mais consistente do que qualquer sinal isolado. Isto posto, a leitura conjunta desses comportamentos é o que realmente ajuda a diferenciar uma fase passageira de um sofrimento emocional persistente, reflete a psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio.
Rotina desorganizada é um sinal de alerta?
Resistência para ir à escola, esquecimento de tarefas simples e dificuldade de concentração em atividades cotidianas também compõem o quadro de sofrimento emocional em crianças. Assim sendo, a rotina funciona como um espelho do estado interno da criança, e sua desorganização repentina raramente acontece por acaso.
Quando a criança que antes seguia uma rotina estável passa a demonstrar recusa constante em cumprir horários e obrigações básicas, o comportamento deixa de ser “birra” e se aproxima de um pedido de ajuda que ainda não encontrou palavras para se expressar claramente.
Observar com atenção é o primeiro passo para agir
Nenhum desses sinais, isoladamente, define um diagnóstico. Desse modo, cabe aos adultos próximos da criança manter um olhar atento e constante, sem pressa para rotular, mas também sem demora para buscar apoio especializado quando os sinais se repetirem. Essa observação cuidadosa costuma ser o que diferencia uma intervenção a tempo de um sofrimento que se prolonga sem necessidade.









