Como o marketing define o sucesso ou o fracasso de um jogo no mercado atual?
Segundo o empresário Richard Lucas da Silva Miranda, fundador da LT Studios, existe uma crença muito difundida entre desenvolvedores de jogos, especialmente entre os independentes: a de que um jogo bom vende por conta própria. Essa crença é compreensível; ela nasce da paixão genuína pelo produto e da esperança de que a qualidade seja suficiente para vencer em um mercado competitivo. Ela é também, na maioria dos casos, uma ilusão cara.
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Por que o marketing de games começa muito antes do lançamento?
De acordo com Richard Lucas da Silva Miranda, a lógica que governa o sucesso de lançamento de um jogo é, em grande parte, construída nos meses anteriores ao dia em que ele fica disponível para compra. Plataformas como a Steam utilizam algoritmos que amplificam o alcance de títulos com alto volume de listas de desejo, o que significa que jogos que chegam ao lançamento com uma base grande de usuários que demonstraram interesse prévio recebem uma exposição orgânica que se traduz diretamente em volume de vendas nas primeiras horas.
A construção de comunidade em torno de um jogo em desenvolvimento é uma das estratégias de pré-lançamento com melhor relação entre investimento e retorno disponível para estúdios independentes, destaca Richard Lucas da Silva Miranda. Perfis ativos nas redes sociais, canais no Discord com membros que acompanham o desenvolvimento, participação em eventos como o Steam Next Fest e disponibilização de demos durante o período de desenvolvimento são formas de criar um grupo de embaixadores orgânicos que divulgam o título de forma genuína e gratuita.

Richard Lucas Da Silva Miranda
Quais são os canais e estratégias que realmente convertem em vendas?
O papel dos criadores de conteúdo no processo de descoberta e decisão de compra de jogos cresceu de forma consistente ao longo da última década, e hoje representa um dos canais com maior impacto sobre vendas, especialmente no segmento indie. Quando um criador com audiência qualificada apresenta um jogo de forma orgânica, o efeito sobre as vendas pode ser imediato e expressivo: o vídeo funciona como uma demonstração interativa que elimina a incerteza do comprador de uma forma que nenhum trailer produzido pelo estúdio consegue fazer com a mesma credibilidade.
Conforme Richard Lucas da Silva Miranda, a mídia especializada em games, composta por portais, revistas digitais e podcasts focados no setor, mantém sua relevância como canal de legitimação, especialmente junto a compradores mais informados e exigentes. Uma review positiva em um veículo respeitado funciona de forma diferente de um vídeo de influenciador: ela não apenas apresenta o jogo, ela o valida perante um público que confia no critério editorial daquele veículo.
O marketing pago, que inclui anúncios em redes sociais, campanhas no Google e patrocínios em plataformas de streaming, tem seu lugar na estratégia de lançamento, mas com uma ressalva importante: ele amplifica o que já existe, mas raramente cria algo do nada. Uma campanha paga bem estruturada pode acelerar significativamente o alcance de um jogo que já tem tração orgânica, uma comunidade formada e um produto com avaliações positivas.
No entanto, investir em tráfego pago para um jogo sem base de comunidade, sem avaliações consolidadas e sem prova social é, na maioria dos casos, queimar orçamento em audiências que não estão preparadas para converter. A sequência correta é construir a base orgânica primeiro e usar o investimento pago para escalar o que já demonstrou funcionar.
Como estúdios menores podem competir em visibilidade com games de grandes orçamentos?
A assimetria de recursos entre grandes publishers e estúdios independentes é real e não deve ser subestimada, mas ela não é absoluta, pontua Richard Lucas da Silva Miranda. A vantagem dos grandes estúdios em marketing é o volume: eles conseguem comprar visibilidade em escala, saturar canais com trailers de alta produção e pagar por posicionamentos privilegiados em plataformas e eventos. O que eles raramente conseguem replicar com a mesma eficácia é a autenticidade e a proximidade que estúdios menores podem construir com comunidades específicas.
A estratégia de nicho é, na maioria dos casos, a abordagem mais eficaz para estúdios com recursos limitados. Em vez de tentar competir em visibilidade com todos os jogos do mercado, o estúdio independente que identifica com precisão o segmento de jogadores que mais se beneficiaria do seu produto e concentra todos os seus esforços de marketing nesse segmento obtém taxas de conversão muito superiores.
Comunidades organizadas em torno de gêneros específicos, como jogos de estratégia em turnos, roguelikes narrativos ou simuladores de gestão, são ambientes onde um jogo bem posicionado encontra seu público de forma orgânica e duradoura, sem precisar competir pela atenção de um público amplo e pouco qualificado.
Por fim, o timing de lançamento é uma variável de marketing que muitos desenvolvedores subestimam por considerá-la circunstancial. No mercado de games, o jogo certo no momento errado pode ser tão invisível quanto o jogo errado em qualquer momento, comenta Richard Lucas Da Silva Miranda, empreendedor do setor de games.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez










